Irrita-me!
Saí a correr de casa. Não sabia bem para onde ia, para onde me levava esta vontade desenfreada de fugir, mas fui. Quando entramos no desconhecido pomos em risco a tranquilidade do comum, do usual, do normalzinho do dia-a-dia. Onde vamos parar? Mando-me de cabeça como não existisse chão, assim sou eu. Terminada a queda, levanto-me, estou vivo e sem arranhões – pelo menos à primeira vista. Permaneço rodeado de estranhos até deixarem de o ser, vejo-me e revejo-me nas pessoas sem que elas notem. Que irritante que sou, penso.
Observo cada uma das pessoas, como se comportam, como agem para ficar bem ou porque, simplesmente, são assim. Até que tenho um choque! O que é isto? Como é possível que alguém tenha a capacidade de, simultaneamente, me irritar e despertar curiosidade? Discute por discutir, cria argumentos onde não existem, apenas porque perder está fora de questão.
Implacável, assim se descreve. Aquelas palavras a saírem-lhe da boca e eu a pensar o quão irritantes elas soam, vou perder tempo? E porque não? As pessoas estranhas e peculiares têm sempre alguma coisa a ensinar, alguma lição a tirar. Esta não era diferente.
O ar inocente que a reveste esconde o seu verdadeiro Eu. Ela era, realmente, diferente. Uma pessoa como as outras, mas tocada pela vida de forma desigual. Derramara lágrimas atrás de lágrimas, mas manteve-se de pé, dera-lhe força, dera-lhe confiança, dera-lhe uma protecção de arrogância (não premeditada) em relação ao mundo.
Os dias passam e a minha paciência diminui assim como o meu interesse aumenta, irresistível. Um duelo interior que me mata e rejuvenesce, contraditório, sim, e agora? A história acaba sem fim? Ficamos na ignorância e inconsciência de que aquela pessoa podia oferecer mais? A curiosidade mata, mas também mói. A morte não me assusta mas a dor incomoda-me.
A realidade caiu-nos em cima. Procuro, então, saber o que mexe o teu Mundo? O que o faz vibrar, o que te agita, o que te incomoda, até onde és capaz de ir. Deixas-me intrigado, raios, detesto estar intrigado sem saber a razão.
Voo ao sabor do vento, odeio não saber para onde estou ir. Não poder controlar… irrita-me.
מכבדת
P.S.: Definitivamente Agridoce.
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