Sexta-feira, Setembro 04, 2009

E Se Tivéssemos 15 Minutos?

Eu tenho. Para uma mente ser considerada sã necessita de 15 minutos. São minutos em que reflectimos sobre o nosso dia-a-dia. Sobre o que fazemos. O que deixamos de fazer. Sobre o porquê de o fazermos. Sobre tudo, em 15 minutos.

Nesse curto espaço de tempo julgamo-nos. Estamos perante um juiz e um júri, somos atacados e defendemo-nos como podemos. É assim que funciona. Quando pomos termo a estes pensamentos sem-fim, por vezes (ou sempre), ficamos no mesmo local onde iniciámos a nossa jornada psicanalítica. São só 15 minutos.

Cometemos erros imperdoáveis, castigamo-nos. Alcançamos objectivos impensáveis, sorrimos. Tantas são as coisas que gostaríamos de alterar, tantos são os momentos que “se fossem hoje” faríamos de forma diferente. Porém, não pensamos que esses erros, essas vitórias, todos esses momentos fazem de nós… nós mesmos. 15 minutos? Chega.

Fechei os olhos com o intuito de dormir, queria mesmo, mas precisava desses 15 minutos. No meu caso não são 15, poderão ser 20, 30, uma ou duas horas. Eu penso demais, diz quem me conhece. Talvez tenham razão. Mas eu penso porque acho que é preciso, é preciso ponderar o que andamos a fazer, o que andamos a dizer, com quem o fazemos e a quem o dizemos. Para mim, tem de ser assim. 15 minutos, simplesmente, não chegam.

Há quem deseje ter 15 minutos de fama, há quem deseje ter 15 minutos disto e daquilo. Eu não sou de pedir muito, quero apenas conseguir pensar tudo em 15 minutos…


Cumprimentos


P.S.: Estarei a pedir assim tanto?

Quinta-feira, Maio 07, 2009

C'est La Vie!

Estou um pouco revoltado com o amor. Ultimamente ando revoltado com muita coisa, com a vida em especial e as pessoas em geral. Tenho esperança, tenho sempre esperança, mesmo quando ela já morreu. Sou o último a desistir e o primeiro a entrar na luta, esse sou eu.

Vejo o que quero em todo lado, vejo sorrisos, trocas de olhares, carinhos múltiplos e inocentes, vejo mas não toco. Não cheiro, não sinto, não nada. “Não” é uma palavra tão forte. Não só se opõe ao “sim” mas também rejeita, nega, impede, contém.

Olho para trás e vejo um longo deserto, tantas foram as miragens tão poucos os oásis. Caminhava por ele fora na busca do seu fim, todos sabemos que o deserto tem fim, a questão é: será que lá chegarei? É longe, e eu estou cansado.

Sonho. Sonho contigo, não sei quem és. Alta, baixa, cabelos compridos, curtos, não interessa. Sei que tens aquele sorriso quando me vês, sei que os teus olhos brilham tanto quanto os meus. Abraças-me com vontade de nunca largar, não quero, não queres, não largamos. Assim somos nós.

Depois acordo. Meio zonzo, estava feliz. Porque é que me foram acordar? Agora, de olhos bem abertos, vejo que não és alta nem baixa, não tens os cabelos compridos ou curtos. Não sorris e os teus olhos desviam-se quando me vês. Já largámos, tu não queres, eu também não.


Cumprimentos


P.S.: C'est la vie.

Sexta-feira, Abril 17, 2009

Apetecia-me Fazer Uma Loucura!

Apetecia-me fazer uma loucura. Não estou a dizer que me mandaria de um arranha-céus sem qualquer corda, por mais piada que isso tivesse. Queria algo incomum, imoral, ilógico e todas aquelas palavras começadas por “i” que tornam tudo, simultaneamente, tão louco e tão belo.

Queria gritar pela janela tudo o que me apetecesse, os meus vizinhos não iam gostar. E então? Quem são eles? Nesse mundo, eu era livre para fazer o que me apetecesse sem quaisquer consequências, totalmente livre. E não posso ser? Tantas regras que nos prendem, restringem e sufocam. Por favor, matem-se todos e as vossas regras.

Queria um pouco de espaço, um pouco de tempo, mais tempo. Agora tenta lá lutar contra tudo sem sofrer a anestesia da realidade. Agora tenta lá ser feliz quando estás agarrado a 1001 cordas, funcionando como uma marioneta da sociedade triste, grotesca e medieval – an eye for an eye.

Vamos ali apanhar chuva, estamos constipados? Qual é o problema? Não te apetece fazer uma loucura? Não te apetece lutar contra todas as condições meteorológicas, físicas, psicológicas, ou qualquer outra matéria do saber ou da razão? Quero lá saber, eu vou! Vens comigo?


Cumprimentos


P.S.: You're only given a little spark of madness. You mustn't lose it. (Robin Williams)

Aquele Que Não Quer Sofrer!

Esta é a história daquela pessoa que não quer sofrer. É a história daquela pessoa que não sabe o que a vida tem para lhe oferecer, porque tem medo. Tem medo que a vida o persiga, que a vida corra atrás dele com aquela toalha encharcada em pequenas gotas de água que escorrem pela face como não fossem jamais cessar.

É possível viver a vida a fugir? Claro. Quem ganha com isso? Bem, ele não seria certamente. Ele tinha medo de se entregar, tinha medo de dar tudo o que tinha para dar, dizia ele: quanto mais alto se sobe, maior a queda. No entanto, se não se sobe alto o suficiente é impossível ver aquela tão magnífica vista, pensei para mim mesmo.

Mas ele tinha as suas razões e os seus métodos, fazia os outros sofrer. É uma forma de se defender do mundo e evitar que este lhe faça mal. A realidade era lamentavelmente triste, fazia mal a ele mesmo, privava-o de tudo o que é possível sentir sem restrições ou limitações.

Ele lá sabia o que fazia, lá foi vivendo como nada fosse. Um dia não acordou. Estava sozinho, ninguém quis saber.


Cumprimentos


P.S.: Opções.

Quinta-feira, Abril 16, 2009

A OUTRA História da Bela Adormecida!

A princesa estava ali deitada como nada fosse. Os olhos fechados e imóveis, a boca entreaberta mas sem sorrir, os cabelos loiros deslizavam pelo seu corpo, tinha um vestido daqueles grandes, daqueles azuis e amarelos que as princesas usam.

O príncipe chegou e deu-lhe um beijo daqueles que acordam qualquer princesa. Ele estava apaixonado, sabia que o amor que sentia era capaz de a acordar, só ela podia ser o sonho bom dele. Mas ela não acordou. Ela continuou no mesmo sítio, inanimada.

Ele não sabia o que fazer mais, o beijo era suposto acordá-la. Todas as histórias acabam felizes com o beijo, aquele beijo final que sela o amor entre o príncipe e a princesa. Assim não aconteceu.

Mesmo que nenhum deles possua um título real, o amor merece. Merece que lhe chamemos princesa, merece que lhe chamemos príncipe. Que tenham o seu reino, onde possam ser felizes. Onde possam fazer inveja a tudo e todos, não por motivos monetários, mas porque se amam, e esse sentimento é raro. Por isso, merecem.

O problema é quando o príncipe não consegue acordar a princesa adormecida. Quando só ele vive no castelo dos seus sonhos, quando ela não o acompanha nesse reinado. E assim aconteceu com o nosso príncipe. Ver o amor da sua vida, mesmo em frente dos seus olhos, não foi suficiente.

Encontrava-se perdido, pobre coitado. Deitado sobre a princesa, olhando-lhe nos olhos numa última esperança que estes abrissem. Nada. Nada aconteceu. O príncipe tinha de ir procurar outra princesa, nenhuma iria ser a princesa adormecida. Nenhuma, pensou ele.

Anos mais tarde, casou-se com a mais bela das mulheres, ele achava-o. Ele amava-a. Com todo o seu coração, ele amava-a. Ele fazia-a feliz, ela fazia-o feliz. Eram príncipes no seu próprio castelo.

Um dia, a princesa adormecida apareceu-lhe à porta. Disse-lhe que enquanto ele estava sobre o seu corpo à espera que ela abrisse os olhos, ela tinha acordado. O amor que ele sentia, ela também sentia, mas teve medo e deixou-se ficar quieta. Deixou-o ir embora. Teve medo de tentar, medo de sofrer. Porque quando se arrisca num amor assim, as possibilidades de perder são enormes.

Com o decorrer dos anos, ela tentou encontrar outro príncipe. Encontrou algo muito diferente. Encontrou curtos momentos de paixão efémera. Encontrou algo que a fez sentir um pouco daquele amor que sentia pelo príncipe, sabendo sempre que assim não sofreria.

No entanto, sofria. Sofria porque tinha deixado o amor ir embora, tinha-o ignorado. Passados vários anos, esse medo passara e ali estava ela disposta a ser a sua princesa.

O príncipe olhou-a nos olhos, uma pequena lágrima escorreu-lhe pelo rosto, e disse-lhe:
- Há uns anos atrás, essas palavras fariam de mim a pessoa mais feliz do mundo. Hoje, deixam-me triste. Houve alguém que juntou os pedaços que despedaçaste, houve alguém que me fez acreditar no amor outra vez. Tu e eu, jamais.

Nunca mais se soube da princesa adormecida. Uns dizem que viveu sozinha para sempre, outros dizem que encontrou outro príncipe, ninguém sabe. O que todos sabem é que nem o príncipe, nem a princesa adormecida viveram felizes para sempre.


Cumprimentos


PS: Não, não é uma história triste.

A História Mais Linda!

Era uma vez… é assim que todas as histórias que tu gostas começam. Todos sabemos que, mais tarde ou mais cedo, elas vão acabar. Vão acabar bem. O príncipe casa com a princesa, a família reúne-se ou, simplesmente, o mau morre. Estas histórias acabam assim. Começam mal e acabam bem, será sempre assim.

O problema é que a realidade é um pouco diferente. Percebo porque é que gostas tanto das histórias que acabam sempre bem, que os amigos são mesmo amigos, que os amores são verdadeiros, profundos e indubitáveis. Percebo.

Percebo que por mais que te façam triste, há um momento em que te vão fazer feliz, aquele final. Faz-te/nos perceber que é preciso sofrer para ser feliz, é preciso lutar para conseguir a felicidade, óbvio. O problema é que a realidade é um pouco diferente.

Às vezes lutamos tanto, tanto, tanto… que no fim perguntamo-nos: valeu a pena? As histórias que tu gostas valem sempre a pena, mesmo que as personagens não saibam, tu sabes que vai acabar bem. E a realidade?

A realidade às vezes é uma história das tuas, outras vezes é simplesmente uma história daquelas que não vamos querer contar. Ninguém se lembra dos que perderam, ninguém se lembra de contar a história em que o príncipe não ficou com a princesa, a família separou-se e o mau ganhou. Não contam, porque não interessam.

Ninguém quer ouvir histórias sobre os que falharam, mesmo que esses sejam bem mais dos que os que sucederam. Mas eu entendo. Entendo que, por mais deprimente que seja uma situação, deve acabar como as tuas histórias. Pelo menos, devia.

O problema é que a realidade, não tem só uma bruxa má, alguém que quer destruir a família de outrem, ou um mau, daqueles maus que metem medo, que arrepiam… nas tuas histórias. Todos estes existem, mas existem juntos, unidos para destruir, para entristecer, para devorar, e muitas vezes ganham.

Mas eu prefiro as tuas histórias, prefiro rir com o hilariante que elas são, prefiro sorrir e assustar-me, torcer por quem faz o bem, porque eu sei que eles estão a lutar pelo lado certo, e o lado certo ganha sempre. Não é assim?

Gosto de ver o mau a perder, alegra-me a família a unir-se finalmente, mas acima de tudo, quero ver o príncipe e a princesa a acabarem juntos. Assim como acontece nas tuas histórias.


Cumprimentos


P.S.: Agora escrevo para crianças.

Domingo, Setembro 21, 2008

Continuação15...!

(…)

Em cima de uma pequena mesa, mesmo no canto da sala, encontrava-se uma mala que o meu interrogador cuidadosamente abrira. No seu interior dispunham-se diversos objectos metálicos que segundo ele me iriam fazer confessar. Comecei por observar um pequeno alicate de ferro a sair do seu interior, os momentos seguintes não seriam agradáveis, pressenti.

O psicólogo gentil e atencioso transformara-se completamente, tinha agora aqueles olhos loucos de quem faria tudo o que fosse necessário para atingir os seus objectivos. Disse-me que iria arrancar cada um dos meus dentes cuidadosa e meticulosamente. Fiquei boquiaberto, nesses momentos o coração acelera de tal modo que não permite pensar ou agir.

Com aquele andar vagaroso que o caracterizava, vinha na minha direcção. Se alguém estivesse a assistir, observaria aquele suspense que tem tanto de irónico como de aterrorizador. Infelizmente, eu não estava simplesmente a assistir, fazia parte da acção e, pelo aspecto, não por muito tempo.

Nesse preciso momento, a única porta que a sala possuía abre-se repentinamente, fazendo um chiar tão grande que me fizera abrir os olhos, fechados pelo medo. Um dos capangas que me trouxera até aquele local entrava, nos seus braços encontrava-se alguém que gritava incessantemente. Era uma mulher encapuçada que tentava a tudo o custo fugir das mãos fortes e musculadas do seu raptor, após vários gritos e gemeres de dor…

reconheci a sua voz!

(…)


Cumprimentos


P.S.: Desculpem a demora!

Domingo, Agosto 03, 2008

Continuação14...!

(…)

Não quis acreditar, era o psicólogo que me dera alta. Agora sem a bata branca, caminhava vagarosamente na minha direcção, o mesmo ar sereno e voz calma caracterizavam-no. Retirou-me o objecto que me impedia de falar com toda a tranquilidade, de tal forma que nem fui capaz de gritar.

Onde está? – Perguntou-me.
Como? – Retorqui confuso.

A sua expressão mudara repentinamente, enraivecido e dando um murro na parede, perguntou-me novamente:

ONDE ESTÁ?!

Continuava sem saber o que dizer ou fazer, algum receio apoderou-se de mim e as únicas palavras que consegui expelir foram:

O… quê?

Agarrou o meu pescoço com toda a força, estava cada vez mais impaciente.

ESTÁS A GOZAR COMIGO?! Quero saber onde está o objecto de que a carta fala. Procurámos debaixo das almofadas do sofá como dizia, não encontrámos nada. ONDE ESTÁ?

(…)


Cumprimentos


P.S.: Hum?

Sábado, Agosto 02, 2008

Continuação13...!

(…)

Acordei sobressaltado, o que é que teria acontecido? Encontrava-me preso a uma cadeira metálica, daquelas que servem para executar prisioneiros condenados à pena de morte. Por momentos, pensei que estava dentro de um filme de acção, ou talvez num sonho demasiado vivido onde as pernas e braços atados doeriam bem menos.

Olhei em volta na esperança de obter alguma resposta, conseguia ver uma pequena janela a uns bons três metros do chão composta por espessas grades. Numa das quatro paredes que compunha aquela pequena sala, existia uma porta também ela metálica e, provavelmente, trancada.

Nestas situações as pessoas tendem a demonstrar o seu espírito de sobrevivência, gritar por ajuda parece sempre o mais lógico e eficaz. A mordaça impedia-me de emitir palavras que fizessem sentido, ao invés, uns sons estranhos saiam da minha boca a um volume demasiado baixo para alguém ouvir.

Entretanto, oiço a porta a ranger, abria-se lentamente e uma figura alta acompanhava-a. Comecei por observar os seus sapatos encerados e distintos, lentamente fui levantando o meu olhar e o reflexo da luz deixou de encobrir o seu rosto:

O que é que está aqui a fazer?


(…)


Cumprimentos



P.S.: De volta de férias!

Domingo, Julho 20, 2008

Continuação12...!

(…)

Após alguns minutos de conversa, parte do mistério que me assolava desaparecera. A carta fora-lhes entregue um dia antes de Ela me abandonar, um acto mais que premeditado – mas porquê? – perguntei-me sem expressar um único som, mas esboçando o mais infeliz dos sorrisos.

Contaram-me então que a porta se encontrava propositadamente entreaberta. Quando tentavam cumprir o que lhes tinha sido pedido, descobriram-me dentro de uma banheira adormecido. Aterrorizados, telefonaram imediatamente para o hospital e mantiveram-se comigo até estabilizar.

Incrível, aquelas duas pessoas que não me lembrava ter trocado dois dedos de conversa em todos os anos que lá vivera, tinham-me salvo a vida!

As suas caras eram-me completamente estranhas, naquele apartamento costumava viver uma senhora já acabada pelo tempo, apoiada num pedaço de madeira a que carinhosamente chamava de “bengalinha”, desaparecera de um dia para o outro. Pensando que já estaria a ficar louco, não tive coragem de lhes perguntar o que era feito da antiga residente, agradeci-lhes e entrei em casa.

Faltava mais de uma hora e meia para o meu encontro, decidi finalmente ler a carta. Era um pedaço de papel já muito amachucado, não sabia ao certo por quantas mãos teria andado e quais os mistérios que desvendaria.

Antes de a abrir, lembrei-me de algo estranho que Ela me dissera ao telefone antes de, apressadamente, desligar. Na altura não me tinha incomodado, estava feliz pelo simples facto de a ouvir e saber que se encontrava bem, mas agora deixara-me curioso:

Quanto à carta, não te preocupes.

Nesse mesmo momento, sem me dar tempo de ler qualquer palavra, dois homens armados saem do meu quarto e vêem na minha direcção.

(…)


Cumprimentos



P.S.: Não é desta.

Quinta-feira, Julho 17, 2008

Continuação11...!

(…)

De toda a gente que me poderia ligar naquele momento, ela seria a que menos esperava. Pensei em esclarecer todas as dúvidas que tinha, não tive tempo. Apressadamente disse-me uma morada, pedindo-me que a encontrasse dentro de três horas nesse local. Desligou logo de seguida.

Apesar do perigo eminente, era incapaz de fugir agora e voltar à minha vida normal. Sabia que pelo aspecto da situação, não estaria a percorrer o mais belo dos caminhos, mas a curiosidade matar-me-ia se não continuasse.

Não era uma pessoa corajosa ou aventureira, mas seria incapaz de desperdiçar uma oportunidade de a ver. Fiquei contente por ouvir a sua voz, apesar de preocupada, não tivera o mesmo destino da rapariga que estava no chão do seu apartamento.

Tinha algum tempo de espera e o local ideal para repensar tudo o que me acontecera até ao momento era, indiscutivelmente, a minha casa – onde tudo começara. Enquanto subia as escadas a caminho da minha porta, encontrei os meus vizinhos a discutir novamente.

Quando passei por eles, pararam de imediato a enorme gritaria e o rapaz perguntou-me algo preocupado:

- Está melhor? Ainda estava inconsciente quando saímos do hospital.

- Viu a carta na mesa-de-cabeceira? A sua mulher pediu-nos que a entregássemos em mão, mas o senhor não estava em condições. – acrescentou.

(…)


Cumprimentos


P.S.: Lê a carta, pá!

Continuação10...!

(…)

Vendo o corpo ali estendido à minha frente e apercebendo-me de quem se tratava, chamei a polícia e abandonei sorrateiramente o edifício. Quis encontrar um sítio seguro e calmo para ler a carta, estava curioso mas ao mesmo tempo preocupado com a informação que poderia conter.

Quando me encaminhava para uma esplanada de um café já distante do local do crime, recebo um telefonema. Pensei ser alguém do meu trabalho, faziam dois dias que não aparecia e não avisara ninguém, o meu despedimento deveria estar iminente.



Trabalhava num escritório de advogados, não era muito bem sucedido nem muito bem pago. Não era sequer feliz com o meu trabalho, mas as pessoas habituam-se e adaptam-se ao quotidiano citadino e enfadonho. Tudo era assim até ela aparecer.

Conhecemo-nos por acaso, via-a no edifício onde trabalho. Estávamos no elevador e foi como num filme de Hollywood – apaixonei-me à primeira vista. Tinha de saber quem era aquela rapariga loira que eu não conseguia parar de olhar. Interpelei-a então com uma daquelas frases péssimas que nos arrependemos para o resto da vida:

- Não a conheço de algum lado? – perguntei envergonhadíssimo, senti-me tão idiota.

- Penso que não, posso perguntar-lhe porque me está a seguir? – perguntou com ar intrigado mas não zangado.

Sem reparar estava atrás dela há cinco minutos, sem saber o que dizer ou fazer. Ainda assim, continuei:

- A verdade é que não consegui parar de olhar para si, desculpe-me.

No momento em que ia virar as costas, perguntou-me com um sorriso carinhoso:

- Importa-se de me dar o seu número? Talvez lhe telefone.

Fiquei estupefacto, sem saber o que dizer. Entreguei-lhe o meu número e antes que pudesse estragar aquele momento, despedi-me e segui o meu caminho com um sorriso de orelha a orelha.

Mais tarde vim a descobrir que trabalhava na Faculdade de História, tinha um cargo que soava importante mas que nunca entendi muito bem. Era uma pessoa reservada no que tocava a assuntos pessoais, hoje começo a entender porquê.



Atendi então o telefone ainda meio abalado por tudo o que tinha visto. Apercebi-me que não era do escritório, era uma voz familiar.

Era Ela.

(…)


Cumprimentos


P.S.: Desculpem não ter avançado muito, mas vão ter de esperar mais um bocadinho para ver algumas coisas desvendadas. Obrigado pelos comentários, continuem que ajudam-me a ter algumas ideias.

Quarta-feira, Julho 16, 2008

Continuação9...!

(…)

A casa encontrava-se exactamente como eu me lembrava. Cada pequeno presente que eu lhe oferecera, cada peça de mobília, tudo estava colocado no seu devido lugar. No entanto, as almofadas não estavam no sofá alinhadas como ela tanto gostava e exigia, estavam perdidas por todos os cantos da sala, não era usual.

Fiquei feliz por não a encontrar, seria estranho se ela lá estivesse, eu não iria saber o que lhe dizer. Entretanto, esse sentimento de fugaz felicidade substituiu-se por um terror enorme, uma angústia gigantesca.

Mesmo ao lado da janela onde Ela costumava despedir-se, encontrava-se um rasto de sangue que ia até ao chão. Deitada ali mesmo à minha frente, encontrava-se uma rapariga morena de baixa estatura, possuía uma extraordinária tatuagem no final das suas costas. As coisas que eu reparo em momentos de aflição.

Tentei acordá-la, podia estar apenas inconsciente, só ela me poderia explicar porque se encontrava num apartamento que não lhe pertencia. Não tive qualquer sorte, medi-lhe o pulso mais de uma dezena de vezes, o coração já não batia, estava morta.

A sua cara não me era estranha, eu já a vira antes. Se não fosse pela delicadeza da situação teria seguramente reconhecido aquela tatuagem que tinha tanto de invulgar como de curioso. Coloquei a mão no seu bolso em busca de uma identificação, ao invés, encontrei um pedaço de papel bastante amachucado.

Era a minha carta!

(…)


Cumprimentos


P.S.: Abre, abre, abre!

Terça-feira, Julho 15, 2008

Continuação8...!

(…)

Antes de iniciar a minha busca pela enfermeira, decidi procurar a pessoa que provavelmente me enviara a carta.

O relacionamento com Ela não durava há muito tempo. Seis meses se passaram desde o nosso primeiro encontro, dos nossos dias de paixão desenfreada, das noites em que partilhávamos histórias da nossa vida, da nossa infância. Pensando bem, eu partilhava mais que ela, havia sempre algo estranho nas suas histórias e nunca conhecera a sua família, estaria a dar em doido?

Comecei a duvidar de tudo e de todos os momentos, não sabia a razão pela qual fora abandonado e isso consumia-me por dentro.

Cheguei ao seu prédio e olhei para a sua janela, quantas vezes a vira ali dizendo-me adeus enquanto tristemente a deixava. O seu cabelo loiro e comprido ao vento, os seus olhos azuis, o seu toque doce e gentil – foram, sem a menor dúvida, os dias mais felizes da minha vida.

Decidi entrar, toquei à campainha, toquei, toquei e toquei. Sem sorte. Há cerca de dois meses, tinha-me dado a sua chave, tive algum receio de a usar mas achei que poderia esperar por ela no apartamento ou, quem sabe, deixar-lhe uma carta.

Tinha acabado comigo há algumas horas, não seria eu a pessoa ideal para entrar na sua casa sem avisar, mas… arrisquei. Abri a porta vagarosamente, não a queria assustar. Afinal, apesar da minha sinfonia composta por toques de campainha, ela poderia lá estar e não me querer ver. Entrei e observei o seu interior.

Não pode ser! – exclamei aterrorizado.

(…)


Cumprimentos



P.S.: Tananana...!

Segunda-feira, Julho 14, 2008

Continuação7...!

(…)

A enfermeira iniciou a leitura sem proferir uma única palavra, demorou alguns minutos até terminar. No momento em que eu esperava desvendar o que estava encoberto por aqueles pedaços de papel, para meu desespero, levantou-se rapidamente e saiu do quarto.

Porque levara a minha carta? Estava inconsolável, pensei em gritar, em chamar por toda e qualquer pessoa, todavia, quem responderia a alguém numa camisa-de-forças? Já tentara antes e o sucesso fora nulo.

Teria então de provar a minha sanidade. Falar de uma carta roubada por uma enfermeira não parecia a melhor forma de convencer o psicólogo que acabara de entrar.

Era um indivíduo alto, meio careca e com um ar acolhedor. Reparei nas roupas caríssimas que ostentava por baixo daquela bata branca enrodilhada, era certamente alguém de posses. De um modo gentil perguntou-me como estava e porque fizera um acto que tinha tanto de louco como de corajoso.

Com toda a tranquilidade expliquei-lhe o que acontecera, eu não era uma pessoa excessiva ou irracional, não apresentava qualquer perigo para mim ou outrem.

Com incrível facilidade, obtive alta no dia seguinte. Porém, muita coisa acontecera e eu não poderia simplesmente esquecer tudo o que se passara.

Tinha de encontrar aquela enfermeira.

(…)


Cumprimentos



P.S.: Desculpem-me, por vezes sou cruel!

Domingo, Julho 13, 2008

Continuação6...!

(…)

Qualquer pessoa no mínimo da sua sanidade agarraria na carta, rasgá-la-ia em mil pedaços e leria o seu interior, bem, eu não podia. Provavelmente pensando que poderia cometer outro acto de loucura, o hospital tomara algumas medidas, encontrava-me no mais acolhedor dos coletes de força.

De braços atados seria impossível alcançar aquela carta, tinha a certeza, era ela, só podia ser! Se os médicos pensavam que poderia estar louco, se passasse mais uma hora sem saber o que estava escrito ali mesmo ao meu lado, ficaria certamente.

Decidi chamar os enfermeiros, médicos, qualquer pessoa que me pudesse ajudar, mas ninguém veio. Até que reconheci uma cara familiar, tinha estado no meu quarto quando acordei, decidi tentar a minha sorte:

- Desculpe, será que me poderia ajudar? – perguntei educadamente.

Olhou-me relutante, abanando a cabeça afirmativamente.

- Poderia ler-me essa carta? – pedi-lhe num tom desesperado, olhando para a mesa de cabeceira.

Hesitante, não me respondeu. Pegou no envelope delicadamente, sentou-se e começou a ler.

(…)


Cumprimentos


P.S.: Obrigado por continuarem a ler!

Sexta-feira, Julho 11, 2008

Continuação5...!

(...)

Comecei a ouvir uma voz feminina, parecia encontrar-se bem distante. Aos poucos, esse som harmonioso foi ficando mais claro, não era quem eu esperava.

Abri lentamente os olhos, sem muita vontade mas repleto de curiosidade. Comecei a aperceberme que ao invés da minha ornamentada casa-de-banho, encontrava-me numa cama de hospital simples e deprimente.

A voz que ouvira antes pertencia a uma enfermeira jovem com um ar angelical, parecia preocupada com alguma coisa, pensei perguntar-lhe o motivo mas a força do meu corpo não me permitiu.

Outras questões me inquietavam. A razão pela qual me encontrava ali, entendia-a com alguma infeliz facilidade. No entanto, como chegara ao hospital? Alguém me trouxera? Quem? Teria ela voltado atrás?

Na mesa de cabeceira conseguia ver uma carta encostada à parede branca numa pequeníssima mesa de cabeceira, em letras algo grandes vi-me ali exposto…

Para Ele.


(...)

Cumprimentos


P.S.: Ao som de: "Show me how to lie, You’re getting better all the time, And turning all against the one, Is an art that’s hard to teach...".

Quinta-feira, Julho 03, 2008

Continuação4...!

(…)

A porta abriu-se e fechou-se num piscar de olhos. Vivíamos num daqueles prédios antigos construídos em madeira envelhecida pelo tempo. Conseguia ouvir cada um dos seus passos a descer a escada. Todavia, impávido, não consegui mexer um único músculo até ela já estar bem longe e o som do seu andar cada vez mais distante, apenas incomodar a minha mente.

Nunca sabemos bem o que fazer nestas situações em que o mundo parece deixar de fazer sentido. Ainda não sei se como forma de fuga ou puro delírio, enchi a banheira de água quentíssima e deitei-me no seu leito. Ouvia as gostas de água, provenientes de uma torneira já fechada, caírem lentamente uma a uma, parecia que ia dar em doido.

Coloquei então a totalidade do meu corpo dentro de água e lá me mantive, passaram-se… 1 segundo, 2, 3, 4, 5… 30

(…)


Cumprimentos


P.S.: "Everytime I try to fly I fall...".

Continuação3...!

(…)

Não vimos nem precisámos, sabíamos muito bem o que se passava. Estávamos sentados, de costas viradas e encostadas para a porta, completamente envergonhados e totalmente invejosos. Não pelo acto em si, mas pela coragem, pelo amor que ambos partilhavam sem pensar em barreiras ou consequências.

Não sei quantos minutos passaram em que partilhámos um absoluto silêncio ensurdecedor. Eles, apesar do acto puro de loucura, conseguiam não emitir qualquer ruído desmedido. Contudo, as nossas mentes funcionavam freneticamente, faziam tanto barulho que asfixiavam qualquer som externo.

Eu sentia que algo se passava, algo a incomodava, – mas… o quê? – não tive coragem de lhe perguntar, estava desgastado e extasiado por tudo o que acabara de ouvir e sentir.

Levantou-se então, não a consegui acompanhar, estava exausto e senti que ela teria algo para dizer, portanto, preferi manter-me sentado. Não sabia o que iria sair daquela encenação, daquele gesto repentino, mas pela lágrima no canto do seu olho temi o pior.

Nunca mais me esquecerei o que ela disse naquela longa noite:

Não podemos estar juntos, adeus.


(…)


Cumprimentos



P.S.: Sim, foi embora.

Quarta-feira, Julho 02, 2008

Continuação2...!

(…)

Enquanto ambos gritavam que nem loucos enraivecidos, ele disse-lhe:

“Posso nunca mais te ver, posso nunca mais sentir o teu perfume, podemos não mais trocar um olhar, mas…”

Mas, mas… o quê? – perguntou-me em desespero de curiosidade.

Queres mesmo saber? – questionei-a em tom de troça carinhosa.

CLARO! Porque é que me fazes sempre isso? – retorquiu com aquele ar irresistivelmente carinhoso, no entanto, irremediavelmente furioso.

Porque… se eu não fosse assim, tu não gostavas de mim!
Gostava mais de ti se me dissesses o que ele disse…

Ouve por ti mesma…

Duas orelhas encostaram-se à porta, já não os conseguíamos ouvir falar. Estavam mergulhados nos doces, longos e ruidosos beijos que partilhavam. O mundo à sua volta não lhes interessava.

Os beijos começaram a tornar-se mais e mais ofegantes, aos poucos iam sendo substituídos por outros sons, menos espalhafatosos mas mais profundos. Gemiam o mais discretamente possível, não queríamos acreditar...

Eles estão a... mesmo à nossa porta! – exclamámos incrédulos.

(…)


Cumprimentos


P.S.: Mais uma aventura d'Ele e Ela.

Segunda-feira, Junho 30, 2008

Continuação...!

(...)

A ouvir-nos? – perguntou.

Sabes quando observas uma situação e consegues ver o espelho de uma realidade tão próxima à tua, bem, é exactamente isso.

Mas eles estão a gritar, tristes, desolados, nós somos assim? – perguntou com um ar desgostoso e indignado.

A questão não é essa. Eu não estou a ver a tristeza deles, não estou a ver a fúria, a raiva, a discussão, estou a ver o amor. As pessoas também discutem quando gostam umas das outras, quando algo que a outra pessoa faz destabiliza o equilíbrio desequilibrado do amor.

Então, vês o nosso amor na tristeza deles? Triste, não? – murmurou um pouco menos triste, mas ainda desolada.

O que eu vejo neles é mais que isso, não é só a paixão efémera de namorados recém-nascidos, vejo um amor, vejo duas pessoas capazes de fazer tudo uma pela outra, tudo.

Sabes o que ele lhe disse? – perguntei sorrindo.

(...)


Cumprimentos


P.S.: To be continued.

Sábado, Maio 31, 2008

Ele e Ela!

Acabado de entrar em casa, sem pressa ou vontade desenfreada, ouvi um barulho triste. A porta, que não a minha, abre-se. Gritos de raiva e discórdia abrigam-se dele e dela. A porta fecha-se com toda a força e apenas um dos elementos da discussão fica para trás, ele.

O silêncio apoderou-se de todo o edifício… por meros segundos, descansei. Batidas na porta, como um berro interior a prolongar-se pelos seus braços. Encostei então o ouvido à porta que me pertencia, queria ouvir, queria saber a razão pela qual a outra porta se voltara a abrir. Não era só um ele, agora, ele e ela.

Não o deixou falar, gritava incessantemente, como a sua raiva proviesse dos seus pulmões, como as suas tristezas pudessem ser conjugadas em algumas frases rancorosas ditas num tom alto que eu conseguia ouvir. Ele, com aquele ar de quem irá cometer um acto puro de loucura,…

…não consegui ouvir mais. Outra voz se sobrepunha, estava ao meu lado. Perguntava com a maior das inocências: o que estava eu ali a fazer?

- Estou a ouvir-nos, querida.


Cumprimentos


P.S.: Ficcional.

Quarta-feira, Maio 14, 2008

Perto!

As pessoas são tão cegas. Apesar de todos nós procurarmos a felicidade como se fosse o fim último das nossas vidas, quem a encontra? Quem olha, quem vê. Por vezes, não é preciso procurar assim tanto, está mesmo ao nosso lado com aquele sorriso meio parvo, dizendo-nos nada mais que: estou aqui, não me estás a ver?

E nós vemos? Óbvio que não, não damos crédito suficiente ao que é fácil e atingível, queremos o impossível e o irreal, para quê? Quando o que nos faz feliz está mesmo aqui. Procurar sempre mais e melhor, querer sempre mais e melhor é óptimo, claro, mas ser feliz não é isso, para ser feliz bastam as coisas mais simples da vida, para quê complicar?

O ser humano é complicado, isto é um facto. Podemos passar uma vida inteira à procura de algo que não queremos, apenas pensamos que vamos ser felizes com o inatingível. O está fora do nosso alcance não nos pode desiludir.

Porque a desilusão é muito complicada, lutar contra mundos pelo o que pensamos que queremos e depois, após consegui-lo, perceber que não era bem isso. Ridículo. Vamos olhar à nossa volta, vamos não apenas ver, mas olhar à nossa volta, talvez, esteja lá o que procuramos.


Cumprimentos


P.S.: Sim! Já olhei e encontrei. E agora… vais embora?

Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008

Acorda!

Acorda! Ainda entre o mundo dos sonhos e a realidade escura e tranquila, murmurei: hoje não. Hoje não me ia levantar, agarrei a almofada como se fosses tu ao meu lado, como se cada bocado da almofada fosse o teu corpo – abracei-o – não o ia largar.

Com aquele doce beijo, que não era mais que um toque carinhoso da almofada na minha face, deu-me mais uma razão para não me levantar. Tinhas os braços à minha volta, enrolando-me e encostando-me ao teu corpo macio, eram só os lençóis e o ederdon, mesmo assim, parecia tão real.

Entretanto, o despertador toca novamente com a maior das violências, eras tu a gritar comigo: levanta-te! Não. Sinto-me tão bem aqui.


Cumprimentos


P.S.: Levanto-me agora, tarde, já não estavas ao meu lado, não te conseguia sentir. Onde foste?

Sexta-feira, Fevereiro 08, 2008

Não Sei Quem São!

Não sei quem são. Vi-os a passear de mão dada como se cada um deles segurasse o corpo do outro. Será o medo de cair ou, simplesmente, o medo de largar durante muito tempo, algum deles poderia fugir.

Aqueles sorrisos verdadeiros, que despertam em mim não mais que inveja. Sei sorrir, sorrio todos os dias, o máximo que posso, mas trocava cada um desses sorrisos por um sorriso daqueles.

Sentaram-se num banco, num banco a ver o mar. Definitivamente era uma vista esplendorosa, um lugar magnífico e, outra vez aqueles sorrisos. Mas não estavam sozinhos, eram acompanhados de longos e carinhosos beijos, sem loucuras ou paixões desenfreadas, no ritmo certo, sem pressas, afinal, naquele momento, para eles... vai durar para sempre.

Levantaram-se então, onde iam? Agora mais juntos ainda, seria maior o medo de cair ou maior o medo de fuga?

Aquele olhar, nunca mais esquecerei. Os dois encontravam-se numa só sintonia, cantavam a mesma música, sem emitir nenhum som, falam na mesma língua sem produzir uma única palavra. Olham um para o outro e vêem algo que eu não conseguia ver, vêm para além do que o olhar permite e do que qualquer um, que não eles, pode entender.

Largaram as mãos. Acabou? Onde foi a magia? Cada um vai na sua direcção. Quero gritar, quero ajudar, voltem! Quero ver mais! Quando estão já separados por alguns metros, ele olha para trás, e depois ela, e depois... sorriem.


Cumprimentos


P.S.: Um tempo depois, não muito, nem pouco, cada um seguiu a sua direcção. Desta vez... não sorriram.

Domingo, Janeiro 20, 2008

Belo? Ridículo.

O mais belo dos textos, não sei escrever. O mais belo não existe. Tantas coisas belas, porquê destacar só uma? Não faz sentido. Quero destacar cada uma delas, dar uma palmada nas costas do autor e dizer: parabéns! Ridículo, não?

Não é. E não é pela simples razão: um momento de génio é só um, único. Não vale a pena forçar, não vale a pena, acontece. Vamos tentar?

Claro. Porque o mais belo é sempre aquele, mentira, é sempre este? Quem sabe? Quem se importa, quando o mais belo é só o mais belo para mim e, na melhor das hipóteses, será para ti também. O belo é assim?

Muitos gostam de vangloriar a imperfeição. Isso sim é ridículo. Descobrir as perfeições nas imperfeições? Ora vejamos, ou é perfeito ou imperfeito, não existe perfeito imperfeito ou imperfeito perfeito, é ilógico. Será?

Mas o mais ridículo é tentar encontrar o belo onde ele não existe. Foge comigo! Fujo. A resposta é certa, há ou não beleza neste momento de escolha. Agora, o feio não é belo, contra natura, é como o preto ser branco e o branco ser preto, não! Preto ou branco. Certo?

Certo ou errado, é como o belo, ou é ou não é. Acertei, belo. Errei, nada belo. É a vida.

Estas opções que tomamos não nos tornam mais ou menos belos, mais ou menos certos, torna-nos vivos, belos ou feios, ser ou não ser, com certeza, seremos. Belos, depende, para quem?


Cumprimentos


P.S.: O belo é tão belo quão belo for o embelezamento do nosso sentido de beleza.

Sábado, Janeiro 19, 2008

Saudade de Sentir!

Saudade de sentir. Saudade de sentir um pouco de calafrio quando te aproximas, saudade de sentir impotente, incipiente, descrente, daquele forma.

Mas sabes do que tenho saudade? Não é daquele beijo longo e apaixonado que damos de olhos bem fechados, arrepia-nos tanto. Não é daquele olhar penetrante que chega, sozinho, para dizer todas as palavras do mundo. Nem mesmo de sentir o coração a funcionar a mil à hora e não saber como para-lo. Ele não queria parar, bem, eu também não. Especialmente, não será saudade da própria saudade, saudade do ciúme, saudade de sentir que aquele dia, aquele momento, acima de todos os momentos, era tudo o que precisava. Qual ar, qual vida, qual ser? Nada precisa de fazer sentido.

Eu não sei bem do que sinto saudade, nem sei se quero saber. Eu já senti a saudade antes, fere tanto quanto nos alegra. Podemos tentar fugir, tentar correr em qualquer uma das direcções mas ela vai perseguir-nos sempre, sacana!

Descobri então com o tempo que é possível sentir saudade, saudade passageira, saudade sem sentido. Não é a saudade louca, desenfreada, sem fio de lógica. Não é mesmo. Eu lembro-me dessa saudade… com saudade.


Cumprimentos


P.S.: Fecho os olhos e tento imaginar como eram aqueles momentos, lembro-me que a vida era tão feliz e eu sorria tão pouco para a vida. O tempo não anda para trás, é certo, e o presente soa-nos sempre tão assim assim que não lhe damos o devido valor. É pena. Sei que não vai deixar de ser assim, sei que o valor das coisas vai ser sempre desprezado até ao momento em que as perdemos, no entanto, é pena!

Domingo, Janeiro 06, 2008

NO WAY, I'll Let You Go Away!

You know how much you mean to me
I can’t always show, you can’t always see

But, believe me when I say

It’s not with me you want to stay.



I’m one of a kind
And I really don’t mind,
But you should realize that there’s something,
So deep in me, that’s not so astonishing.


I can not love anyone
I know it’s me
Can’t find no one
To set me free,


I wish I could
I wish I know
How to find the mood
But it will not show.


I can try harder
And I’ve tried it before
It’s not like I’m a starter
It’s not like I want more.


I love your friendship
Everyday and every time
But it makes me weep
Knowing you could be mine.


Can’t fool you and say: I’ll feel
It’s not like I’m not strong.
Though I know, I’ll be wrong
Would you try… still?


Maybe you would,
They tried it in the past
I wish I could
Change the mess… and all the rest.


I can not change what has be done
It makes me wonder, it makes me stun.


I’m not so proud, what have I done?
Why would I be?
Can’t love no one
Not even me.


PS:

But I can’t stay away
From your smile, my friend,
All the laughs that we stand
There’s not a chance, NO WAY!

Terça-feira, Agosto 28, 2007

The Past!

We try to fight
Is that right?

A chance to live
That’s all we get,
For those who believe
It’s all set.


I can not dare
To find a way
To deep to share
On the light of day.


I may care less
About this darkness,


Even though
It makes me stronger,
It’s all you sow
That makes me wonder.


Now you come,
Yell and mumble.
Got you some,
Not so humble!


Kind to ask
I was OK
I’ve seen you’re mask,
Get away!


Don’t think you know,
Don’t try to show
In peace you rest,
You’re just the past.


P.S.:

Found a way
Not so long
But I can't say
That I am strong.

Sábado, Março 17, 2007

Verdade ou Mentira?

Queria contar uma história:

Não é uma história.
Espera, até pode ser uma história.
O que é na verdade?
Ouvi dizer que existem várias verdades.
Para um mesmo assunto?
Claro.
Ah pois, eu sabia.
Toda a gente sabe. Quem não sabe, inventa.
Isso já não é a verdade, pois não?
Até pode ser.
Mas isso é uma mentira!
E o que é a mentira mais do que uma verdade inventada?


Cumprimentos


P.S.: Diferentemente da física, tudo se perde nada se transforma.

Sábado, Fevereiro 24, 2007

É a Vida!

Se cada vez que alguém ficasse desapontado com o amor, outro alguém acendesse uma vela – meu Deus! Ponham na cabeça: é a vida.

Chega de tristezas sem sentido, de “lágrimas de crocodilo”, o ser humano é assim, por vezes nem faz por mal, acontece. Não vamos culpar este ou aquele, esta ou aquela atitude, somos todos feitos de um mesmo e, mais tarde ou mais cedo, erramos.

Quantas pessoas já perderam alguém importante na vida? Quantas dessas mesmas pessoas não dariam Tudo para ter oportunidade de viver mais esses minutos que nós desperdiçamos com tristezas absurdas? Ridículo.

Temos uma só vida pela frente e em conjunto com a certeza de que um dia vamos morrer, são as duas verdades às quais nos é impossível fugir. Não podemos olhar para esse facto numa perspectiva somente funesta, há que encará-lo como uma oportunidade, uma oportunidade para fazer a diferença, para aproveitar, para rir, sentir, viver cada momento como se fosse último, quem sabe não será mesmo?

Não há segredos para a felicidade, é certo, é talvez a mais profunda busca feita tanto pela pessoa mais inculta como pela mais sábia, quantos a encontraram? Bem, não sei. Mas sei que se alguém a encontrou, foi porque a procurou, porque lutou e não ficou num canto a chorar na espectativa que um dia “algo” cairia do céu.

Acho a Fé uma coisa extraordinária, felicito quem consegue alcançar esse patamar – acreditar num algo que não vê, apenas sabe que existe e influencia – no entanto, não é suficiente! A vontade de cada um faz a diferença, querem mesmo? Lutem e conseguem, mesmo que não consigam, ao menos, tentaram.

Existe grande probabilidade de não se conseguir à primeira, nem à segunda, talvez nem à vigésima, quadragésima... mas o truque é nunca desistir e manter sempre a vontade e a alegria que será a próxima, Aquela.


Cumprimentos


P.S.: A vida me ensinou a nunca desistir, Nem ganhar, nem perder mas procurar evoluir, Podem me tirar tudo que tenho, Só não podem me tirar as coisas boas que eu já fiz pra quem eu amo...” (Charlie Brown Jr - Dias de Luta, Dias de Glória)

Terça-feira, Novembro 28, 2006

Poça!

Estio, onde? Pousei a colher após voltas e reviravoltas naquela chávena de chá enfeitada pelo padrão da idade, envelhecida e abandonada pelo tempo – tão bem que sabe. Debato-me de modo fútil e infantil, é assim que ficamos nestas alturas, numa escolha que recai naquele pedaço de pão semi-tostado pousado num pequeno e ornamentado pires, nada pires por sinal.

Água molhada, dizia meu avô, e um regelar miudinho abraçam-me como de saudade se tratasse, cínicos. Vingo-me vivendo, eles simplesmente existem, nunca saberão o que é cheirar, ouvir, olhar, saborear tocar, sentir, invejosos. Avisem, preparar-me-ia com todas as forças, porém, é pela arte da traição que se regem sem pudor ou arrependimento, cobardes.

Corpo desfalece naquela poltrona de cores e odores variados, músculos mexem mas sem vontade, cabeça agita-se mas com dor, olhos pesados acompanhados somente pelo grito da tosse, poça, doente. Oiço os mesmos conselhos que ouvira o ano anterior, e o antes, espera! O outro antes também. A preocupação é tremenda, no entanto, não mais que eu próprio me preocupo em melhorar, se ao menos um estalar de dedos funcionasse – servia para tirar um coelho da cartola em tempos de encanto pelo ilusionismo circense, sim, eu acreditava, foi-se.

Calma, esperem! Não vão, ao longe vos enxergo sem energias para vos alcançar, parecem fugir por percursos difusos, ao mesmo tempo sempre presentes, pior, a minha cabeça, rodopia em mil e uma direcções diferentes sem rumo, estou desorientado, culpo-vos! Finalmente, encontrei culpados, vítima, drama, mas para quê? Isto passa.


Cumprimentos


P.S.: Estar doente é como estar vivo sem poder viver totalmente.

Segunda-feira, Novembro 27, 2006

Aqueles!

Nus. Com uma folha de lençol a separar-nos, folha essa que, por mais que tentasse, seria incapaz de desunir dois corpos que se queriam sem quaisquer limitações, que se desejavam incessantemente, que queriam ser um só.

No meio de gemidos ocultados pelo som daqueles beijos ofegantes, estava um corpo, uma vida, uma união, um ser, nós. Mas não éramos só nós, não era só o nosso desejo, não era só o nosso carinho, miminhos chamavas tu, era mais que isso, mais profundo, mais intenso, era o despontar do delírio em corpos que se conheciam sem se conhecer, que suspiravam pela loucura desenfreada, eu, tu, o teu, o meu, o nosso.

Onde estavam os limites? Onde estavas tu? Onde estava eu? Unidos, próximos, combinados, sim, sim, é isso! Combinamos tão bem. Tentavas fixar o olhar em mim enquanto te fitava com um contemplar de puro e genuíno sofrimento, não dava, era mais forte, era desconcertante, era doido em todo o seu sentido, digno de uma insanidade tão sã que nos torna os mais felizes entre toda a doidice, aquela.

Encontrei-te, encontraste-me, encontramo-nos, estava aqui, estavas ali, estávamos mais além, sim, pobres almas incansáveis com um objectivo único, não lúdico, não obrigacionista de um triste quotidiano, não! Queria, querias, queríamos, era uma demonstração mútua de paixão infatigável, de calor, estava tão quente, lembraste? Não te lembras, nem eu me lembro bem, como é possível captar uma imagem naquele ambiente de suspeitosa conspiração ternurenta, impossível.

Tamanha luta de trama incerto, onde as únicas certezas residiam nos culpados, nos cumplices, acusados de amar, acusados de viver até ao limite das suas forças, das forças do outro, bem, forças essas, naquele momento, cessaram. Acabados a um canto, sem conseguir mexer um músculo receando gemer mais uma vez, agora de sofrimento sério, mantiveram-se ali, adormeceram... juntos, aqueles, nós.


Cumprimentos


P.S.: ‘Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há...’ (Miguel Esteves Cardoso in Expresso)

Quinta-feira, Setembro 28, 2006

As Palavras!

...são não mais que conjuntos de letras? Trocamo-las, entrelaçamo-las, baralhamo-las, cruzamo-las e, no entanto, mantêm-se: Palavras. Contudo, de que modo possuem tamanha importância? Será a sua beleza? Excentricidade? Diversidade? Unicidade? Intemporalidade? Não sei.
Pergunto-me então: de onde nasceram? De onde vieram? Onde foram criadas? Como cresceram, desenvolveram e deram origem às que conhecemos hoje? Não sei.
Na minha cabeça mais perguntas se formulam, mais questões se formam, mas no final cairão na mesma resposta redundante, mostrará quão ignorante eu sou, ou quão prudente por o admitir. Não sei.
Um dia gostaria de conhecer esse alguém, se é que existe, que tem respostas para todas as perguntas, tentarei ser conciso, directo, objectivo, mas dificilmente o conseguirei. Não existe um conjunto de palavras por mais abrangente que seja que albergue toda a minha curiosidade sobre elas mesmas e o mundo. Se existe, não sei.
Mas afinal o que sei eu sobre estes fios condutores que tornam possível a ligação entre o “eu” e o mundo? Sei que um conjunto de letras formam uma frase, um conjunto de frases formam um texto, eis o meu.


Cumprimentos


P.S.: Enfim, a faculdade pede...

Domingo, Agosto 06, 2006

Pois!

Ri-te!
Não te ris?
Mordi-te!
Bis, bis?

Quando os teus olhos sorriem
Mesmo sem os teus lábios moverem,
Consigo ver tamanha felicidade
Em tão genuína saudade

Mentir? Quem mente?
Mentir é não deixar o cérebro sorrir
Afecta tanta, mas tanta gente
Para quê ouvir?

Oiço, oiço-te, receio, receio-te
Mas quem tem medo que se assuste
Porque eu nomeio-te
Isso nem se discute!

Discutir, discuto comigo
Não sei que diga, não sei que fazer
Vejo, vejo-me contigo
Mas enlouquece só de pensar em ver tudo morrer

Digo e redigo, sem problema ou preocupação
Mesmo que algo mude no meu coração,
És não mais que muita gente
Mas ao mesmo tempo, aquela pessoa diferente...



Deu-me para isto. Podia ser pior.


Cumprimentos


P.S.: Um luar pequeno, médio e só no fim... grandioso!

Sexta-feira, Junho 09, 2006

Não!

– Nunca mais a viste?

– Não.


Um silêncio ensurdecedor inunda a sala, viro costas e fecho todas as portas que existiam entre mim e... aquela pergunta.


Cumprimentos


P.S.: “There's been times, I'm so confused / All my roads, They lead to you / I just can't turn, And walk away...” (Sister Hazel - All For You)

Sexta-feira, Junho 02, 2006

Azul cor de céu... e mar!

Nos teus olhos vi o mar, quiçá fosse o céu, no entanto, duvido. Se atentarmos as nuvens, percebemos que conseguem encobrir todo o azul que costuma banhar a nossa visão; o mar, por mais longínquo, profundo, grandioso que seja, não existe nuvem ou outro factor natural que o esconda.

Pensei, pensei e pensei, não era um céu, o céu é imóvel, escurece, foge e nem sempre possui aquele azul que tanto me encanta. Quando olhavas para mim eu não via nenhuma escuridão, via movimento, via vida, via um enorme azul, nunca encoberto.

Seria então o mar? Mas o mar não tem vida própria, alberga vida, não fazia sentido, eles tinham vida, eles viviam não só por si, mas em mim, o que seriam então?

Era mais que o mar, mais que o céu, mais que a vida, era criado pela natureza, desdenhado por ela e vislumbrado por mim. Não eram mais que dois glóbulos, não eram mais que dois pedaços de vida partilhados por todos, mas no fundo, não havia igual.

Vi-os, eles viram-me, todavia, o que era o meu inocente verde ao lado de um grandioso azul cor de céu... e mar.


Cumprimentos


P.S.: Azul, mais que uma cor... um encanto.

Quarta-feira, Maio 31, 2006

Crescemos!

Crescer, um mal que toca a todos? Era eu uma pequena criança que brincava, gritava, esperneava, jamais pensara que estava sozinho, havia sempre um familiar, um colega de escola, Alguém, pronto para nos transmitir alguma coisa que, naquele dado momento, era suficiente para esboçarmos um sorriso e seguirmos em frente num estranho e inconsciente: carpe diem infantil.

No entanto, o tempo passa, ganhamos Amigos, não apenas colegas, ganhamos relações interpessoais mais complexas, não apenas “alguém para brincar”, crescemos! Somos agora, o que a sociedade chama de adultos, que responsabilidade é essa? Que fardo carregamos?

Reflicto, o facto de possuirmos mais experiência, mais conhecimento do Mundo e de toda a sua complexidade e formação, é razão para nos tornarmos piores pessoas? Substituirmos a inocência de outrora pela perversidade actual? Preocupava-mos a nossa mente com coisas básicas como carinho/fome/dormida, agora, quais são MESMO as nossas preocupações? Fúteis de tal modo que me leva a perguntar: o que nos tornámos?

As minhas palavras tendem a ser dramáticas, mas não devem ser encaradas como tal, o crescimento tem coisas óptimas, experimentamos toda a realidade de uma perspectiva diferente, com outros olhos; distinguimos as pessoas como indivíduos singulares, com as suas qualidades e defeitos, com a toda sua pormenorização que os torna únicos, para o bem... e para o mal.

Imagino uma criança a dormir, esboço um sorriso entristecido e penso: “aproveita, porque um dia... vais crescer!”.


Cumprimentos


P.S.: Inocentes são aqueles que nunca cometeram o crime de crescer em demasia.

Quarta-feira, Maio 03, 2006

É assim!

Vi o Mundo com olhos diferentes, não era mais a cores, nem mesmo a preto e branco, era igual a ele mesmo, só e somente. Não queria ser diferente, não queria ser igual, não era sequer, vivia sem o poder de viver, respirava sem o poder de respirar, sentia, seria assim?

Encontrei-o outro dia, vendo-se ao espelho questionando: porquê? “É assim!”, respondi eu com a maior das calmas e o mais gentil dos sorrisos; era mesmo assim, não era mais que isso, nem menos, era ele sem tirar nem pôr, como podemos modificar algo que é, quando ser é mais vago que não ser, seremos?

Se sou, não sei, mas ele era! Inquestionavelmente não podia deixar de o ser, eu vi, eu olhei-lhe penetrantemente, respondeu-me apenas: “Sou assim!”, mas aquela resposta eu já conhecia, eu já tinha usado sem saber muito bem porquê, mas usei-a sem pudor ou preconceito, porque no fundo... era assim.

Mas se tudo parecia como era, e nada era diferente do que o olhar transparecia, porque é que eu sentia algo diferente do que via? Ver, bem, vejo com olhos, e sentir, sinto-o com o quê? Com o coração? Talvez, mas porque é que um órgão que tem como função bombear sangue (sinistro, não?), havia de se preocupar em sentir? Ok, disse novamente: “É assim!”.

Pus um pé à frente e depois outro, parei, fixei-o e com toda a convicção, questionei-me... será mesmo assim?


Cumprimentos


P.S.: Escrevi as primeiras palavras que me ocorriam sem olhar para a anterior, autêntico, ASSIM saiu.

Quarta-feira, Março 29, 2006

Tu!

Olhei, e vi-te a alma. Existiu uma praia longínqua e agora oculta nas profundezas da minha memória, o seu início e fim eram impossíveis de observar pelo poder da visão, poder esse que, distraído e desencaminhado pelo acaso, descobriu-te. Eras não mais que a areia e o mar que te rodeavam, não mais que o sol que brilhava no céu e as nuvens que o acompanhavam lealmente, e como poderia eu esquecer cada um deles?

Escurecia, o êxtase perfurava cada um de nós, estávamos reunidos para um fim comum que não era teu nem meu, nem mesmo nosso. Distinguia-se felicidades variadas de origens também variadas, algumas mais eufóricas que outras, mas por detrás de um jeito seu de ser e estar, enaltecidos pela sua pureza em espírito e cor, estavam aquela voz gentil e aquele sorriso meigo.

Alcançámos o céu num silêncio e desconhecimento mútuo, consumidos pela incerteza e ignorância do futuro. Já neste jardim à beira-mar plantado, os nossos caminhos cruzaram-se novamente, eras de carne e osso e não mais uma imagem produzida pela lembrança, eras agora alguém que desconhecia, quem eras? Não sabia, provavelmente, nem hoje sei mais do que aquilo que deixas transparecer nesse mundo gélido, desconfiado e incerto que, repetidamente, vi e senti em ti.

Aos poucos, esse mesmo gelo parecia derreter, os nossos olhos aparentavam trocar sorrisos de cumplicidade, os nossos lábios, por seu lado, contemplavam palavras de carinho, entretanto, um beijo, ao princípio estranho, desconcertado mesmo, nada parecia possuir a mesma forma, não teriam sido feitos um para o outro? Não acredito, melhor, não acreditei, não apenas baseado no mero querer da imaginação, mas porque (por alguns escassos momentos), onde havia gelo, passou a haver calor que dera a um corpo: vida, os teus olhos possuíam um novo brilho, o teu sorriso ganhava uma nova dimensão, parecias... feliz; nascera naquele momento, naquele local, outro beijo, sentido e não apenas dado, querido e não apenas recebido, um beijo, agora sim, nosso.

Onde tinha havido um nada, nascera um algo, talvez fosse só aparência, ou a minha perna a querer dar um passo maior do que ela permite, todavia, voltámos ao ponto de partida.


Cumrprimentos

P.S.: Pôs-se o sol e com ele... tu.

Segunda-feira, Março 27, 2006

Violadores da Mente!

Décima terceira volta, ainda estou acordado. Quantas vezes damos por nós a pensar em coisas que não desejamos, pensamentos recônditos que parecem só vislumbrar a luz do dia nestas ocasiões. Não deveriam estas representações menos agradáveis da realidade ser colocadas num local bem oculto da nossa mente?

A noite escurece, o frio estranha-se em mim suplicando que me dirija para o meu leito de repouso, atendo então ao seu pedido acompanhado de um enormíssimo sorriso de inocente prazer, tudo parece caminhar na maior das harmonias entre o meu desejo e a sua realização quando... sou interpelado. Cansado, sem vontade de pensar ou sentir, sou impedido de pôr em prática as minhas intenções, perturbado por estes “seres” oriundos de mim mesmo, aos quais nomeio: Violadores da Mente.

Violam-nos, não fisicamente, como estamos habituados no uso ordinário desta palavra, mas mentalmente (como o próprio nome indica), invade-nos sem preocupação com a consequência do seu acto, arrasa-nos. É natural que o mundo não seja cor-de-rosa em toda a sua dimensão, é mais natural ainda que se torne preto em muitas ocasiões, mas precisamos de ser lembrados constantemente? A nossa mente terá alguma necessidade de nos molestar com todas essas memórias? Tratar-se-á de alguma espécie de relação sadomasoquista entre o corpo e a mente? Só queria poder descansar...

Rebolo de um lado ao outro da cama, mudo de posição freneticamente na esperança de adormecer, sem êxito. Os tais violadores parece que possuem uma simpatia especial por mim, um carinho mórbido que eu repugno com todas as minhas forças, pergunto-me: Como fazer o cérebro parar de pensar?


Cumprimentos


P.S.: Vivemos os piores pesadelos... acordados.

Quarta-feira, Março 22, 2006

Dia 22!

Dia 22. Era o nosso dia, não era? Mensalmente festejávamos este ponto no passado em que os nossos caminhos se tinham cruzado, em que os nossos lábios se tinham unido e os nossos corações conjugado. Foram vinte e nove festejos, nem mais nem menos, como me poderia esquecer? Eram nossos...

Hoje fico tentado a pensar, com carinho e nostalgia, que se ainda estivéssemos juntos, estaríamos a comemorar três anos, Incrível! Como o tempo passou por nós sem darmos por ele, e de repente, tudo desvaneceu, tudo o que era deixou de o ser, tudo o que seria nunca o será, foi-se... Tudo.

Gosto de imaginar que foi uma época de crescimento, de aprendizagem mútua, de troca de experiências entre duas pessoas que, no fundo, não conseguiam viver uma sem a outra. Pensando bem, e passado todo este tempo, chego à conclusão que afinal: conseguiam! É possível viverem livres, sem dependerem da existência de um outrem, de tomar as suas opções (única e exclusivamente) em função de si mesmos; mas pensando melhor ainda, tão solitárias que soam as minhas palavras.

Solitário, talvez seja isso mesmo, não sei, apenas sei que me sinto vazio. Parece que ocupavas um espaço, reinavas em mim, o trono pertencia-te, era só teu; não é um lugar para todos, não é um espaço que se partilhe com o próximo como de amizade se tratasse, é um espaço exclusivo, restrito, era um espaço teu, mas não mais será.

Quantas lágrimas foram derramadas em teu nome, quantas vezes pensei que não as merecias, mas como evitá-las? Como evitar sentir? Por vezes, gostava... mas não consigo.


Cumprimentos


P.S.: Aprende-se que o mundo não pára de girar, que nós não paramos de existir, não paramos de respirar, coloquemos o passado no seu respectivo lugar... no passado.

Sábado, Março 11, 2006

Egoísmo Saudável!

Tão perigoso seria pintar a minha mente. Assusto-me com a simples ideia de expor parte dos meus pensamentos, teorias e ideais. Acima de tudo, não quero pôr a descoberto algo que é só meu, meu! De mais ninguém. Tão egoísta que eu consigo ser, pensar só em mim, em quão importante eu sou para mim mesmo, mas no fim de contas, o que nos resta quando nos esbanjamos?

Penso, por vezes, em descobrir esta barreira que me separa do Mundo, esta fileira de protecções e seguranças que evitam mostrar tudo o que desejava, um eu que sou, mas guardo-o, e guardarei sempre, até que alguém o mereça. Não que seja valioso, não que seja fora do comum, esplendoroso, brilhante e cintilante, não! Mas é meu, e só por isso torna-se importante, ganha um cariz unívoco incomparável, uma beleza singular, no fundo... sou eu.

Pensando bem, todos temos aquele “nós” guardado para nós mesmos, aquela nossa alma escondida e recôndita, mas ninguém quer saber dela. Nem da sua própria, quanto mais da dos outros, é tão importante a beleza exterior, a forma distinta como falamos sobre coisas em volta do sentido em que o Mundo gira e esquecemo-nos, ou fazemos por isso, que existem mais direcções do que aquelas que toda a gente conhece e indica.

Gostarmos de nós mesmos, não é só admirarmos a nossa parecença com o próximo, acima de tudo, é gostar da nossa diferença mesmo na indiferença da nossa presença.


Cumprimentos

P.S.: É difícil gostarmos de nós mesmos quando mais ninguém gosta, mas é o princípio para alguém, algum dia, vir a gostar...

Quinta-feira, Março 09, 2006

Flores!

Flores, serão só meia dúzia de simplórias pétalas? O seu encanto resumir-se-á à beleza das orquídeas, excentricidade das tulipas, extravagância das papoilas, inocência das margaridas, tristeza dos cravos ou à, incomparável, intensidade de uma rosa? Representam mais do que aparentam, mostram-nos como uma forma de vida, aparentemente desprovida de magnificência, é capaz de ser portadora de uma enormidade de sentimentos, desde a mais profunda das tristezas à mais alegre das felicidades,... São únicas.

Mas quando são elas recordadas? Podemos dividir esta resposta numa dicotomia simplista e resumida: por um lado, a morte, trata-se da razão mais forte que leva alguém a oferecer flores, é evidente que não oferecermos as mesmas À pessoa que nos deixou, oferecemos sim, em Memória desta, não esperamos um sinal de agradecimento, apenas que descanse em paz; e que outra razão, feliz por seu lado, nos faz congratular alguém com tão mágica oferenda? A Amizade, sim, mas acima de tudo e na maioria das vezes... Algo mais.

Por muitos chamado de “Romantismo”, este acto de oferecer flores a alguém que tem a capacidade inigualável de nos fazer sorrir, ou por outro lado, lançar aquela solitária lágrima que, só por si, vale por milhentas mais (é tão curioso como o nosso respirar não possui a mesma harmonia, vivacidade e histerismo sem essa pessoa...). Todavia, qual a ligação entre estes seres vivos e este sentimento? Aquela, estranhamente, bela e perigosa rosa vermelha pode dizer mais que dez mil palavras, mais do que dez mil beijos, mais do que qualquer acto humano,... consegue dizer (sem palavras): Gosto de ti!


Cumprimentos

P.S.: A flor que um dia gostaria de te ter dado...

Segunda-feira, Março 06, 2006

Não Estamos Sós!

Gostava de um dia poder dizer que vivi tudo o que tinha para viver. Mas não consigo – “vive-se aquilo que se pode” – costumava eu ouvir da boca daqueles que mais experiência possuíam. Hoje, começo a percebê-los. As razões fulcrais que levavam aquela velha gente a entoar tais palavras nunca saberei, nunca lhes perguntei, são coisas deles, mas a influência intra corpórea que afecta o meu eu (ou a minha alma, como alguns mais crentes designariam), em comunhão com a habitual forma humana de introspecção quotidiana, é impossível fugir ao seu conhecimento.

Podemos, porventura, pensar que algumas letras encadeadas, numa simplória união, ditas por um outrem que não nós mesmos, serão (simplesmente) o sentido em que o mundo gira para uma certa pessoa, num certo momento. No entanto, se analisarmos com atenção, talvez esse mesmo mundo seja aquele em que vivemos, e essas mesmas pessoas, sejam aquelas que vivem próximas de nós, tão próximas que têm a capacidade de possuir uma vivência tão, extraordinariamente, semelhante à nossa.

De forma alguma pretendo transmitir que vivemos num mesmo local onde as experiências são únicas e sentidas de um mesmo modo, estaria a enganar a mim mesmo; pretendo sim, mostrar que a nossa realidade não é singular, não vivemos sós neste enormíssimo globo azul, alguém, algures, já viveu algo semelhante, já sentiu algo análogo, indubitavelmente diferente, até porque o igual é só igual a si mesmo.

Como definiria Aristóteles: “Homem como zoon politikon (animal político)”, numa assunção neologista, podemos afirmar que vivemos em sociedade, e esse é um dos factores que nos separa dos “deuses, animais e plantas”, qual o fundamento de desrespeitar a harmonia desse mesmo relacionamento, este sim, singular? Somos mais que nós mesmos, Respeitemo-nos.


Cumprimentos

P.S.: Para aqueles que lêem o que escrevo fica um modesto: Obrigado.

Quinta-feira, Janeiro 26, 2006

Sierra Nevada!

Tendo em conta a minha partida para a Serra Nevada, apenas segunda-feira poderei retomar a minha escrita. Deixo-vos, no entanto, com um pouco de Paulo Coelho, uma adaptação (por ele) chamada de: Contemplando o perigo.

O discípulo disse ao mestre:

- Tenho passado grande parte do meu dia vendo coisas que não devia ver, desejando coisas que não devia desejar, fazendo planos que não devia fazer.

O mestre convidou o discípulo para um passeio.No caminho, apontou uma planta e perguntou se o discípulo sabia o que era.

- Beladona. Pode matar quem comer suas folhas.

- Mas não pode matar quem apenas a contempla. Da mesma maneira, os desejos negativos não podem causar nenhum mal – se você não se deixar seduzir por eles.

E assim termino,...


Cumprimentos


P.S.:
Contemplo, deixo-me seduzir, morro... mas morro feliz.

Segunda-feira, Janeiro 23, 2006

Beijos!

Um beijo, que agradável. Existem de todos os tipos, de todas formas e feitios, para todos os gostos, mas nem sempre do modo que queríamos ou dado pela pessoa que desejávamos. Quem consegue não gostar desta maneira simples de mostrar afecto, mostrar que possuímos sentimentos em nós?

Podemos, porventura, fazer uma divisão tripartida dos diversos tipos de “beijos”: existe, portanto, o beijo familiar que possui (necessariamente) duas faces, tendo em conta que pode ser agradável beijar a mais carinhosa das mães, mas pode, também, ser repugnante fazer o mesmo ao mais horrendo dos nossos familiares; o beijo social, aquele que é caracterizado pelo seu cariz obrigatório, sinaliza o nosso demonstrar de simpatia, mesmo que irónica, a nossa ocidental forma de cumprimentar as pessoas de sexos opostos, podemos dividir este em duas categorias, imaginemos um cumprimento à/ao mais bela/o das raparigas/rapazes, ou à mais simpática das/os amigas/os, contrastado com a mesma situação, mas desta vez, à mais horrenda das pessoas, no mínimo, é um suplicio (“Que Horror!”, diria alguém que eu conheço...).

Podemos ainda distinguir outro tipo, diferente de qualquer dos anteriores, chamar-lhe-ei: beijo de Afecto; por momentos pensei em chamá-lo de “beijo do Amor”, mas este sentimento é tão dúbio que preferi o escolhido. Não posso afirmar que este seja dado unicamente em situações de afecto, em situações de carinho, estaria a ser ingenuamente hipócrita, mas na maior parte das vezes, penso que a designação é correcta. Mas afinal o que é este beijo? O que tem de tão diferente que merece uma atenção tão minuciosa? Será difícil para mim explicar por palavras o quão profundo é este toque de dois simples lábios, o quanto eles se entrelaçam e apegam, como se sentem estranhos inicialmente, mas vão ganhando aos poucos uma conectividade sua, deixando de ser duas bocas, para a passar a ser só uma, tornar-se em algo superior a um beijo, algo que o é, sem o ser. Por mais palavras que gaste tentando explicar esta esplendorosa sensação, não chegarão, não serão suficientes, como explicar que na mais quente das tardes de Verão, ou na mais fria das noites de Inverno, um (simples) sinal de Afecto é suficiente para nos fazer sorrir?

Em suma, evitem os vossos parentes “menos simpáticos”, evitem os vossos conhecimentos “menos embelezados”, mas nunca evitem o Afecto, quando ele é mútuo.


Cumprimentos

P.S.: O gelo quebrou... fomos um só.

Segunda-feira, Janeiro 16, 2006

Destino! (Não faz sentido)

O Que é? Alguém consegue responder? É capaz, sequer, de dizer se existe ou não? Se nos influencia, se modifica o nosso quotidiano? Eu não sei. Custa-me pensar que somos marionetas de algo ou alguém, e esse mesmo, nos deixa a vaguear por este Mundo, sabendo exactamente os passos que vamos tomar. Não faz sentido.

Não tem lógica darem-nos uma vida e não nos deixarem vivê-la, não entra na minha cabeça, mostrarem-nos as maravilhas do Mundo, já sabendo que maravilhas iríamos rejeitar, apreciar, é confuso. Se defender-mos o contrário dos meus ideais, é de uma facilidade argumentativa redundante, dizer que os nossos actos nasceram porque estavam escritos, caso mudemos uma opinião/gosto, estava escrito que o faríamos, que raiva estar enjaulado nesta prisão do Destino. Não faz sentido.

Ao possuir esta vontade de viver, de mudar, de ser algo que não estava “escrito”, será que estaremos a cair no poço onde já estaríamos mergulhados? Se isso é verdade, se realmente somos programados para algo desde a nascença, peço desculpa... perdi a vontade de viver. Mas eu não penso assim, eu não concordo, discordo radicalmente, a minha liberdade de viver, escolher, optar pela opção que mais gosto, da forma que mais gosto, faz de mim eu mesmo, e eu (realmente) gosto de ser eu mesmo,... Não faz sentido.

Eu faço as minhas opções, tomo-as, dedico a minha vida a viver e não, somente, a existir, porque quem existe são as pedras, e eu não sou assim. É este poder que alegra o nosso amanhã, a incerteza do acontecimento, a alegria desse mesmo momento ser melhor que o hoje, diferente no mínimo, porque o igual a hoje é só o hoje, e o igual a amanhã é só o amanhã. Viver dá-me tanto prazer, cheirar, ouvir, sentir, ver, sem isso... Não faz sentido.


Cumprimentos

P.S.: Peço desculpa em insistir na temática do ‘tempo’, mas é algo que me faz pensar, e convosco partilho. Pergunto também: Será que foi o Destino a juntar-nos?

Sábado, Janeiro 14, 2006

Passado, Presente e Futuro!

Passado, que espaço temporal tão incomodo. Dá que pensar, como é possível algo que já passou, inalterável, inalcançável, ter uma influência tão preponderante no nosso Presente.

Se reflectirmos com atenção, chegaremos à conclusão que é esse mesmo Passado que faz de nós quem somos hoje, é essa mesma vivência, que nos altera, nos torna pessoas melhor/piores ou, simplesmente, diferentes; não podemos fugir, parece estar preso a nós com correntes inquebráveis, ensina-nos as lições da vida, mostra-nos como o Mundo gira, para aprendermos a girar com ele.

Mas até que ponto ele influencia o Futuro? Até que ponto ele é fundamental nas decisões/acções presentes? É verdade que devemos aprender com ele, cada vivência comtempla-nos algo novo, nem que seja o (simples) facto de nos ensinar a não cometer o mesmo erro; porque errar uma vez é humano, é certo, errar duas vezes é parvoíce, três, é pura estupidez... costumo eu pensar.

Na minha humilde opinião, devemos aprender com tudo o que vivemos, devemos parar e pensar sobre o que já fizemos, mas sem exageros; se perdermos tempo demais, podemos perder a vida, podemos perder a hipótese de viver, e essa, é só uma! Se não a aproveitar-mos nesta vida, não haverá mais nenhuma, não haverá mais nenhuma chance, nenhuma hipótese... acaba ali.

Mesmo sendo, um tanto ao quanto, leigo nestas coisas da “vida”, penso que o Passado tem uma influência grande na nossa existência, mas esse, não o podemos alterar, apenas o Presente e o Futuro têm essa magnífica incerteza, e nós temos essa esplendorosa capacidade de os poder escrever.

Cumprimentos


P.S.:
Não deixem que o Passado faça o vosso Presente/Futuro infeliz.

Sexta-feira, Janeiro 13, 2006

Balão!

Um balão. Alguns sopros são suficientes,... nasceu! Estranho como algo tão simples parece ser grandiosamente apreciado, extraordinariamente sentido, tratado (por vezes) com carinho até ao seu último sopro.

Uma criança consegue ser feliz com pequenas coisas, vale-lhe a inocência. Brinquedos caros, luxuosos, complexos, não são algo que lhes diga muito, pelo menos reza a tradição; pobres petizes, queriam somente brincar. O “pequeno” Mundo mágico encanta a nossa existência, que momento único das nossas vidas, momento de despreocupação, momento em que um pequeno e denudado balão, enche o nosso coração.

Numa época onde receber balões era usual, tão pequeno era eu, costumava pensar: “Gosto tanto!”, hoje, com mais tempo e experiência de vida, posso apenas dizer: “Gostava que ainda me oferecessem balões!”. Recordo-me de um episódio tão único, tão comovente: Jorge Palma no fim de um concerto (em plenos aplausos finais) pede ao filho para entrar no palco, este rapaz vindo de um sítio desconhecido, traz no seu pulso um pequeno balão amarelo... inesquecível quão puro foi aquele momento.


Cumprimentos

P.S.: Se, por mero acaso, um balão for parar às vossas mãos, não o deixem voar sem rumo, ofereçam-no a alguém que mereça.

Quarta-feira, Janeiro 11, 2006

Rir!

Rir! É o melhor remédio, dizem alguns. Pensando bem, como é possível não gostar? Uma demonstração de sentimentos tão bela, tão única, tão... sincera.

Vejo-me, por vezes, olhando em redor à procura de algo que me faça lançar Aquele sorriso, Aquela gargalhada, aquele expelir de felicidade simples na sua essência, que se vai complexificando quando nos apercebemos que não estamos só a rir, estamos a mostrar ao Mundo que é possível ser feliz.

Apercebemo-nos, então, que num certo momento esquecemos tudo o que nos rodeia, todos os problemas, as desavenças, as tristezas, por mais graves que sejam, parece que, em instantes, desvanecem. Relembra-me, metaforicamente, o acto do professor ao apagar o quadro no terminar de uma aula, é certo que teremos de estudar mais tarde, mas a aula, essa, acabou; naquele momento... Sorri.

Alguém que desconhece a potencialidade do riso, a dimensão profunda que ele alcança, a magnificência contagiante dele característica, que nos une neste laço inflorado de êxtase, Não sabe o que está a perder!

Sorriam.

Cumprimentos

P.S.: Sabe tão bem rir... sorri comigo, sorrir sozinho não tem a mesma alegria.

Terça-feira, Janeiro 10, 2006

Uma História!

Estava eu a saltitar de palavra em palavra, quando: “Olha,...”.

Era tarde, o frio penetrava em mim como uma bala que atravessara um corpo, inesperadamente, o telefone tocou. Estranhei, olhei para mim mesmo, dei por mim a pensar que com aquele frio, naquela hora, ninguém o faria... mas fez.

Tinha-o feito! A minha alma parecia, agora, capaz de expelir qualquer bala, aquecia de tal forma que qualquer factor, indiferentemente da origem, seria incapaz de a abalar; era um sinal de esperança, um sinal de afecto, estranho, mas real. Não queria que aquele momento passasse, desejei que o tempo parasse, ficasse ali estagnado para desfrutar cada momento, cada segundo, cada milésimo, mas não parou, sendo assim, quero que ele acelere, quero que ande rapidamente, quero saber o fim da história, tão curioso que sou eu.

Respondi! Disse algumas palavras, não sabia bem o que dizer, parece que nos momentos de maior tensão as palavras não nos saem, ficam em nós, parece que com receio (também elas) de se mostrar, de não serem apreciadas, escondem-se então; a simplicidade marcou-as, não proferi todas as que desejava, tudo aquilo que queria dizer, guardo para mim, e quem sabe, um dia, dir-te-ei também... a ti.


“...saiu uma história!


Cumprimentos


P.S.:
Conheço alguém que diria... “Que Fofinho!”, eu ficar-me-ei pelo: “Até à próxima!”.

Segunda-feira, Janeiro 09, 2006

"Poesia!"

Fechei, cuidadosamente, os olhos e proferi as seguintes as palavras: “Vais fingir que és poeta”, e pronto:


Vivi, viveste?
Senti, sentiste?

Que fizeste?
Ah... sorriste!


Eras tu ali?
Podias ser.
Não estavas aqui,

Quererás desaparecer?


Estavas de branco!
Seria?
Para ser franco,
Jamais me esqueceria.


Procurei-te!
Encontrei-te!
Sobreviverá?
O tempo o dirá...

Agora entendo porque é que os grandes poetas descambavam para a insanidade, voltemos à prosa.


Cumprimentos

P.S.: Se existe uma ‘Sra Poesia’, peço as mais sinceras desculpas, devo tê-la ofendido gravemente!

P.S.2: Ainda a compensar... em prosa falo, em prosa digo, não entendo este mundo, por isso, desligo.

P.S.3:

Quando te vi naquele dia de Verão,
Reparei em ti, vi-te em mim, vi-te comigo.
Não durou mais que um serão,
Mas sei que pertenço... contigo.

(Acabei de inventar.. )

Domingo, Janeiro 08, 2006

Pormenores!

Hoje quero falar-vos de mim. Sim, é verdade, sou mais um ser neste Mundo repleto de milhentos mais. Porventura, se considerarmos a unicidade humana, em que cada ser é somente igual a ele mesmo, posso (eventualmente) ser... Diferente.

Há algo que me deixa perplexo, que me faz pensar no seu porquê, poderia ser algo constante, fazer parte do meu feitio, ser uma qualidade, ou um defeito, mas não. Perguntar-se-ão, certamente, que bicho é esse? Que anomalia é essa que te faz reflectir tanto? Bem, talvez já vos tenha ocorrido, reparar em determinados aspectos da realidade e mais ninguém o fazer, certos factos que passam despercebidos a todos, menos a vocês, até certo ponto, é disso que vos falo. Penso que a maioria das pessoas já passou por estes, por mim chamados, pormenores, já os viveu, nem que fosse por uma só vez. No entanto, acordo, vivo, adormeço com esta pormenorização da minha existência, reparo no que não devo, não reparo no que devo, vejo aquilo que não quero, e deixo passar o que quero, que estranho, sou... eu.

Mas reparar, ver, sentir algo que ninguém reparou, viu, sentiu, talvez seja simples, mas há aspectos que ficam, que por mais irrisórios que sejam, mantêm-se em ti, não te abandonam, parece que insistem em ficar sem perceberes porquê. Não sei até que ponto eles vêm para assentar ou, simplesmente, vieram passar férias à minha mente, e embora irão, a seu tempo...


Cumprimentos


P.S.: Uma praia tão grandiosa, e uns pequenos chinelos verdes... ali.

P.S.2: Agora tenho de compensar, não quero saber!

Sábado, Janeiro 07, 2006

Conversação!

Pessoas, esses seres estranhos e invulgares. Vivemos num Mundo onde o estereótipo, a ideia preconcebida, consegue (inexplicavelmente) sobrepor-se ao conhecimento, mas como?

Não quero entrar muito neste campo, porque me levaria a áreas como a xenofobia/racismo, conversa delicada que será deixada, quiçá, para outro post. Quero por outro lado, incidir-me sobre um assunto que me deixa intrigado, a conversação.

Quando iniciamos uma conversa com alguém que conhecemos (ou não), penso podermos receber diversos tipos de resposta: o silêncio, obviamente, podem não querer falar connosco, aceitável; uma resposta sisuda, sem sabor, amargurada, em parte como a anterior, mas expressada linguisticamente; a resposta socialmente correcta, aquela que por mais volta que tentemos dar, é o mínimo que é pedido ao afável, mas como podemos falar com alguém assim? Faltará sempre aquele glamour do contacto sincero entre pessoas; a resposta complicada, esta denominação deve-se ao facto de não conseguirmos passar de um certo ponto da conversa, uma estranha sensação que, apesar de se tentar evitar, existem seres que não foram feitos para comunicar entre si; e, por fim, aquela resposta, envolve algo que aparenta ser mágico, invulgar, um sentimento que se assemelha ao finalizar de um puzzle, parece que aquela pessoa, naquele momento, soube responder aquilo que desejavas, da forma que querias, encantou a tua existência pelo simples facto de saberes que existe alguém assim.

A palavra, a frase, a conversa, a fala, um enumerar de factores que nos tornam nós mesmos, que devíamos preservar com mais carinho, que devíamos usar com mais cuidado, mas sem recear, porque em cada momento, em cada conversa, enriquecemo-nos, ganhamos algo de novo. Cada pessoa é singular, sendo, aprendemos indubitavelmente qualquer coisa, nem que seja o simples facto de sabermos que com aquela pessoa não mais conversaremos.

Eu, procuro O alguém que jamais parará de me dar aquela resposta, e vocês?

Cumprimentos

Quinta-feira, Janeiro 05, 2006

As Horas!

Tic-tac, faz o relógio que toda a criança sonhava ter colocado na parede da sala, aqueles cucos que (inesperadamente) saem e gritam, de tal modo, que parecem possuir vida própria,... Nostalgia! Mas, o que vou tratar é um tanto ao quanto diferente.

Enquanto conversava, apercebi-me de algo, dei por mim a pensar na influência do tempo na nossa vida, na forma como a controla, domina, restringe mesmo, prende-a de tal modo, que é impossível escapar-lhe.

Vi em mim um defeito (ou uma tara, como lhe ouvi chamar...), que me fez reflectir e perguntar: porquê? Porque tenho esta enorme mania de estar ligado às horas, como de uma relação inquebrável se tratasse, tudo parece ter o seu momento, a sua altura, tudo parece cronometrado, e eu ajudo! Eu podia dizer: “não quero relógio, o tempo para mim passa à velocidade que eu quero e desejo...”, mas não digo, faço tempos para o iniciar e o finalizar de cada acção, controlo tudo pormenorizadamente de forma a que todo aquele tempo que “nos é dado” seja proveitosamente utilizado, mas será?

Eu tento, digo constantemente a mim mesmo que cada segundo deve ser aproveitado ao máximo (sem carpe diem’s extremos), só possuímos uma vida, uma oportunidade, um tempo, e desperdiçamos a contar as horas... triste.

“Time may change me, but I can’t change time...”, so true!


Cumprimentos

P.S.: Eu prometo que irei fazer um post sem o ‘PS’, mas não será este; quero, simplesmente, agradecer à pessoa que me fez pensar.

Quarta-feira, Janeiro 04, 2006

Amor!

Estive a pensar sobre o Amor. Sinceramente, não sei o que pensar sobre ele, até que ponto reflectir sobre ele nos leva algures, nos indica algum caminho. É certo que muitas pessoas, bem mais sapientes que eu, já divagaram/aparvalharam sobre este assunto, mas fica sempre a pergunta: a que conclusão chegaram elas?

É verdade que existem aqueles pessimistas, os quais dizem que este sentimento não existe, ou é (simplesmente) impossível de alcançar; os optimistas, estes transmitem-nos a ideia de já o terem alcançado mil e uma vezes e de que qualquer pessoa o consegue, basta esforçar-se, basta lutar/querer; ainda, existem os eternos apaixonados que têm a filosofia do Amor único, onde só existe um Amor na nossa vida, em que os outros gostares não passam de “flirts”.

Tantas categorias, tantos rótulos, e tentamos encaixar-nos num deles, no meu caso, sem muito sucesso. Não sei ao certo se já senti AMOR, se já o desfrutei, se já experimentei esse sentimento forte de que tanto falam e opinam, não sei! Mas pensando bem, será que realmente O quero sentir, dar nomes a sentimentos é como nomear quão fortemente a chuva nos molha, o fogo nos queima, o vento nos puxa para algum sítio que só ele conhece, para quê? Vamos ser mais felizes sabendo que sentimos algo que outros já sentiram? Que, no fundo, não foi em nada semelhante ao nosso, parece-me (no mínimo)...estranho.

Divagações, divagações,... “O Amor tem razões que a própria razão desconhece...”, parece fazer algum sentido, agora.


Cumprimentos


P.S.:
Prometo um post mais alegre next time!

Terça-feira, Janeiro 03, 2006

De volta!

Ora Ora! Aqui estou eu de volta para vos atormentar com mais posts. Este, em especial, vai ser dedicado ao meu tempo passado nas Terras de Vera Cruz.

Posso dizer-vos, em primeira-mão, que a viagem de avião é aborrecida, longa (sete horas e qualquer coisa...) e, ainda por cima, a tripulação teve a brilhante ideia de passar dois filmes que eu já tinha visto; obviamente, isto foi só um início atribulado que em nada se compara com a magnificência da viagem em si.

Cheguei a este sítio, onde toda a gente parecia ter uma tonalidade de pele mais escura que a minha (ok, eu estava mesmo branquinho!), deparando-me com um calor em nada semelhante ao inverno português, sentindo-me diferente, mas com força de mudar esse mesmo estado, começava assim a minha aventura.

Provavelmente, o melhor foi conhecer dezenas de pessoas, de todas as partes do mundo (Brasil, Espanha, França, Portugal, Suécia,...), cada uma com algo para dar, mostrar, partilhar, cada uma especial à sua maneira, diferente na sua forma de ser e estar, é engraçado como pessoas de sítios tão distintos podem juntar-se, partilharem algo de si, serem felizes.

Algo que tenho de falar, não podia fugir, é a comida! Adoro comer, e se há algum sítio no Mundo, onde se coma bem: é ali. Desde a simples fruta, à carne, aos camarões, a todos aqueles molhos e combinações que só eles sabem dar à comida, estou rendido (e com fome...).

Em traços gerais, foi brilhante, fiz bons amigos, comi bem, mas voltei e estou com bastante frio.


Cumprimentos

P.S.: Entretanto, só naquela da inveja, estou MORENO em pleno Inverno, lindo!

Domingo, Dezembro 25, 2005

Vacations!

Não vou poder postar mais até dia 2 de Janeiro, pois vou para o Brasil. De qualquer forma, assim que voltar, dedicar-me-ei ao blog.

Não vejam isto como: “Fiquem cá a apanhar frio, que eu vou para o calor!” (pensando melhor...), mesmo assim, deixo-vos com algo de Paulo Coelho:

Por que o senhor vive no deserto? - perguntou o cavaleiro.

- Porque não consigo ser o que desejo.

- Ninguém consegue. Mas é preciso tentar - insistiu o cavaleiro.

- Impossível. Quando começo a ser eu mesmo, as pessoas me tratam com uma reverência falsa. Quando sou verdadeiro a respeito de minha fé, então elas que começam a duvidar. Todos acreditam que são mais santos que eu, mas fingem-se de pecadores com medo de insultar minha solidão. Procuram mostrar o tempo todo que me consideram um santo; e assim se transformam em emissários do demónio, me tentando com o Orgulho.

- Seu problema não é tentar ser quem é, mas aceitar os outros como são. E agir assim, é melhor continuar no deserto - disse o cavaleiro, afastando-se.


Cumprimentos


P.S.:
Há sempre um ‘PS’, porque é que não haveria de haver agora?

Sexta-feira, Dezembro 23, 2005

Amigos!

Escrevi este texto, em tempos, para aqueles que considero AMIGOS, e com vocês partilho:

Penso que expressar os meus sentimentos se torna complicado quando somos enfrentados com uma realidade estereotipada, intriguista, com a sua capacidade de censura na mais simples forma de existência. É difícil, muitas vezes impossível, entrarmos no padrão considerado normal, nem sempre giramos da mesma forma que o Mundo gira, mas não somos inferiores por isso, apenas diferentes.

Possuir a companhia de alguém, alguém que estará sempre lá quando digas a maior das parvoíces ou a mais complicada das teorias, que te apoiará quando estiveres certo, te chamará à atenção quando estiveres errado, é indubitavelmente a maior das sortes, a maior das ofertas do destino, ou simplesmente do acaso. O Amigo não é aquele que diz: não conseguirás, é aquele que apoia quando consegues, que continua a apoiar quando não consegues, quer queiras ou não conseguir; acima de tudo é aquele que por mais voltas que o Mundo dê, por mais sortes ou azares que a vida traga, será sempre o elo mais sincero entre nós e a realidade.

É verdade que o "AMOR" é o sentimento capaz das maiores tristezas/alegrias, capaz de mover mundos, ser o responsável por actos de loucura mais estranhos na sua essência que quaisquer outros; a "AMIZADE", por seu lado, não é somente a junção de 4 sílabas, é uma conjunção de algo que muitas vezes o Amor não alcança, com um nível de longevidade que o próprio desconhece, com uma profundidade devaneante muitas vezes incompreendida, "felizes aqueles que têm verdadeiros Amigos" (esta da minha autoria).


Cumprimentos


P.S.: Obrigado!

Quinta-feira, Dezembro 22, 2005

Ho ho ho!

Queria ter aguentado mais um pouco, mas para quê? Apetece-me escrever e, pronto, lá “terão” de levar com mais um devaneio meu.

Devido à data sinto-me, quase, obrigado a falar sobre o Natal, esse (suposto) espaço temporal de alegria, fraternidade e amor. Mas, no fundo, o que é o Natal?

Podia dizer: ‘as meninas da Playboy ficam manifestamente melhor vestidas de Papa Noël...’, mas o que me traria? Discórdia? Alegria de uns, tristeza de outros, penso que para o bem de todos, é melhor não irmos por aí. Ora bem, esta época festiva traz-nos sentimentos por vezes ofuscados durante o ano, mas acima de tudo, parece que nos transforma em ‘seres consumistas’, mas que fenómeno é este? Eu posso admitir que não sou um devoto crente na religião cristã, mas estaríamos nesta altura a celebrar o nascimento de Jesus, é certo que os reis magos lhe ofereceram ouro, incenso e mirra, mas que estranha ligação existe entre estas oferendas e o último modelo de telemóvel?

Este assunto dava uma longa conversa, tanto no plano religioso como no económico-social, por esse mesmo facto prefiro considerar o Natal como uma altura em que a família se encontra, partilha os mais sinceros momentos de alegria, até porque no fim de contas, estes entes são a ligação mais próxima que possuímos com a realidade humana. Gosto de pensar que somos todos pessoas diferentes, uns mais que outros é certo, mas ser-se apenas uma boa pessoa nesta altura posso, somente, rotular de: Hipocrisia Natalícia.


Cumprimentos


P.S.:
Obviamente que não podia terminar este post de um modo tão “ruim”, por esse mesmo facto, desejo um sincero: Feliz Natal!

P.S.2: Já agora... Já pensaram na origem da famosa Árvore de Natal? Lembro-me dos animais, da manjedoira, Maria, agora um “pinheiro homo” (luzinhas, enfeites e tal...)?

Era uma vez...

E assim começa, não é verdade? Há imenso tempo que estou para escrever um blog “só meu”, onde pudesse escrever as maiores parvoíces ou a mais complexa das teorias e, quiçá, mostrar um pouco de mim. Vamos ver como sai.

Neste momento, não escrevo sobre nada em concreto, apenas divago de palavra em palavra, reencontro-me com este mundo que tanto adoro, a escrita. Revivo-me em cada letra, em cada frase, faz de mim quem sou, e eu faço dela quem é. Possuímos este mútuo acordo de cumplicidade e de amizade, sim é uma amiga, consegue ouvir-me e acompanhar-me na mais triste das situações ou no mais alegre dos momentos, sempre com aquele silêncio e atenção inigualável.

Deixo-vos, isto se alguém que se tenha dignado a ler chegou a este ponto, este excerto que vi e amei:

"Uma vez ouvi dizer que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço... mas essa pessoa não nos conhece... Os nossos corpos não só ocupam o mesmo espaço como se misturam, se unem, baralham e dilatam até serem um só; por momentos eu não sei onde termina o meu e começa o teu, se eu tenho corpo ou se simplesmente sou a tua pele. Os sons que eu produzo saem de dentro de ti, e os teus sorrisos encontram-se nos meus lábios. Somos um, sem sermos o mesmo."


Cumprimentos


P.S.:
Começou... quando parará? Esperemos que seja depois das candidaturas do Sr Dr Mário Soares... ups! (Em tempo algum tive o intuito de lhe chamar “Sr de idade avançada”, quer dizer...)